Publicado
em: LYCURGO, Tassos. Anais da VIII Semana de Humanidades: Natal
400 Anos. Natal (RN): Centro de Ciências Humanas, Letras e
Artes, 08 a
A Prostituição no Reino Unido:
Uma Abordagem Histórica de sua Evolução no Séc. XIX
Tassos Lycurgo
Justificativa: Segundo George Scott
(1968), o início da prostituição no Reino Unido é desconhecida.
Ele, entretanto, descreve os parâmetros pelos quais a atividade de prostituição
nas ruas subia e descia nas cidades britânicas. Isto é dizer que o ciclo da
prostituição deve ser função cujas variáveis determinam seu tamanho. No caso da
prostituição britânica — e também no caso da maioria dos países desenvolvidos
—, as variáveis são basicamente três: a condescendência das autoridades, as
respostas de instituições religiosas e — muito principalmente —, o retorno da
sociedade no que concerne tal atividade. Estas são as variáveis que
possibilitaram, por exemplo, que, já em 1840, houvesse mais de 3000 bordéis só
em Londres. Não havia, contudo, apenas bordéis ricos em uma sociedade
emergente, mas também os mais simples e baratos. A razão para tal número e
diversidade, dentre outras, concerne a falta de
aceitação explícita da sociedade da sexualidade já existente na época. Scott
deixa claro que no Reino Unido, no séc. XIX, a perda da virgindade de uma moça
significaria a sua inserção no conjunto das prostitutas locais. Mais que isso,
em certos casos, bastava que ela a perdesse por própria vontade para que nem se
atrevesse a voltar para casa. Em 1885, entretanto, passou uma lei que proibia a
existência de bordéis no Reino Unido. Um bordel, como os britânicos e sua lei
de 1885 o entendiam, é uma casa onde há pelo menos duas mulheres com o intuito
de prostituição. Eis o porquê que Scott diz que a lei não diminuiu
significantemente a prostituição, pois as prostitutas passaram, mesmo que com
intento de prostituir-se, a viver separadamente, o que, segundo a lei de 1885,
não constituiria um bordel. A lei, claramente, alterou uma das variáveis.
Depois disso, o que aconteceu foi que a prostituição acomodou-se à nova
realidade, que se manteve até o final de século, sem maiores alterações.
Objetivos: Mostrar pormenorizadamente a evolução da prostituição no século XIX
no Reino Unido. Metodologia: Fazer referência à
quadros da época, que retratam o cenário de prostituição britânica. Apresentar
o argumento de Scott referente ao assunto. Resultado: O desenvolvimento da
prostituição, embora seja afetado por fatos históricos, pode ser generalizado
tanto espaço quanto temporalmente.