Publicado em: LYCURGO, Tassos. Anais da VIII Semana de Humanidades: Natal 400 Anos. Natal (RN): Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, 08 a 12 de novembro de 1999, p. 31.

 

Arte enquanto atividade científica e filosófica: uma reflexão para a Contemporaneidade

Tassos Lycurgo

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Justificativa: As atividades científicas e filosóficas são, principalmente na contemporaneidade, transformadas em atividades artísticas, frutos do espírito livre e criador. Desta feita, assim como se fossem produções artísticas, um sistema filosófico ou uma teoria científica não mais podem ter como intento principal o descobrimento de um caráter fundamental, essencial e, nesta acepção, necessário do mundo. Em outras palavras, as leituras da realidade deixam de ser encaradas enquanto descobertas do homem e passam a ser consideradas como suas criações; que é o que se dá explicitamente na produção artística. É fato que um quadro artístico, um romance literário, uma peça sinfônica, enfim, a arte é, em certo sentido, uma leitura da realidade; mas, o que a diferencia é a sua postura com relação ao conhecimento do mundo. As obras artística não pretendem ser o espelho fiel da natureza, mas sim um espelho que reflete não só uma suposta realidade objetiva, mas também o sujeito que a criou. Objetivos: Faz-se, desta feita, mister que se identifiquem os caracteres similares entre a teoria da arte e a produção em ciência — física, mais especificamente — e filosofia. Além disso, deve-se apontar os pontos históricos principais na produção intelectual humana que fizeram da filosofia e ciência, um tipo de arte. Problemática: Vale dizer que o problema se dá em vista da má apreensão científica e filosófica da própria necessidade de se reconhecer enquanto atividade artística. No último caso, é fruto do desespero metafísico de ainda descrever o mundo fundamentalmente. Metodologia: Deve-se, em primeiro lugar, identificar o que se caracteriza por arte; depois, identificar tais critérios na produção de ciência e filosofia na Contemporaneidade. Resultados: Concluir-se-á que filosofia e ciência, assim como a própria arte, não passam de atividades artísticas de livre criação de modelos.