Breves Orientações
para o Feitio de um Artigo Acadêmico
Baseado no texto
de Jacob Levy, da Universidade de Chicago.
a) O seu trabalho,
acima de tudo, deve ser intelectualmente honesto. Você deve considerar de
maneira séria as objeções contra o seu argumento. Por exemplo, se o seu intuito
é criticar o argumento de um autor, você deve sentir-se obrigado a construir a
defesa mais forte dele e, depois, a conseguir superá-la. Da mesma forma, se o
seu trabalho defende o argumento de um autor, você deve apresentar a crítica
mais severa contra ele e, depois, mostrar por que ela não prospera ou não tem
fundamento. Se você não consegue imaginar contra-argumentos a tese que você
defende, então é porque a sua tese talvez seja demasiadamente trivial. Este é
um ponto muito importante: um artigo que não apresenta contra-argumentos ou
então que apresenta apenas uns muito fracos não é um texto persuasivo nem será
bem-sucedido.
b) Você deve
apresentar de maneira absolutamente clara as suas posições diante das questões
que abordará. Frases tais como “Este artigo explorará as questões relacionadas
a...” não apresentam uma tese a ser defendida e, obviamente, não abrirão espaço
para a elaboração de contra-argumentos interessantes.
c) A lógica é
muito importante na elaboração de um artigo ou, como diz Levy
de forma sucinta e objetiva: a lógica conta.
d) A ortografia é
importante. Muitos erram ao pensar que o verificador de ortografia dos editores
de texto é o ponto final na verificação. Na realidade, é o ponto de início.
e) O estilo é
importante, mas algumas considerações devem ser feitas: fazer um esboço do que
se vai escrever antes de começar pode ser útil; é interessante colocar um
parágrafo sobre a tese a ser defendida no começo do artigo; periodicamente, é
bom apresentar de forma sucinta o que já foi provado e o que ainda falta provar
no argumento que está sendo apresentado. Isso ajuda a fazer com que o argumento
se torne claro. É verdade que retomar periodicamente a informação do que já foi
provado pode deixar o artigo um pouco mecânico e, por isso, fazer com que esta
técnica seja indesejável, mas, ao que parece, é preferível errar tornando o
artigo mecânico a errar tornando-o confuso. É importante conhecer as regras da
gramática; assim, por exemplo, o uso de tempos verbais incomuns deve ser adotado
apenas quando sabemos bem o que estamos fazendo.
f) Não se esqueça:
uma metáfora não é um argumento; uma listagem de tópicos não é um argumento;
mesmo uma analogia, por si só, não é um argumento.
g) Um argumento
sempre se relaciona com pelo menos outro no texto, seja refutando-o, seja
confirmando-o ou seja tornando-o mais frágil, abalando os seus fundamentos,
entre outras possibilidades. Para todas as funções dos argumentos, é
imprescindível que se demonstre o que se quer. Não basta dizer que um argumento
é melhor que outro, que confirma outro ou que é mais adequado.
h) Tome cuidado
com as introduções e as conclusões, especialmente nos ensaios curtos. Uma
introdução longa que diga apenas o quão importante é uma determinada questão;
que fale da vida do autor, mesmo que o argumento principal abordado não tenha
relação com ela, mas apenas com obra do autor; que diga que muitos e muitos
pensadores já se debruçaram sobre dada questão, etc., é apenas perda de espaço
e espaço, no feitio de um artigo, é a fonte mais preciosa. As conclusões não
devem apresentar surpresas. Elas devem apresentar os resultados os quais já
foram vislumbrados no transcorrer do argumento principal do texto. Quando, na
conclusão, colocam-se especulações sobre outras idéias ou teses, o que se
consegue, em regra, é tornar mais fraca a força do argumento principal que você
apresentou.
i) Sentenças como “Eu penso que...”, “Eu creio
que...”, e (a pior de todas) “Eu sinto que...” são sentenças autobiográficas, que dizem algo sobre o autor
mas não sobre o argumento. Algumas vezes, muito raramente, tais sentenças devem
ser usadas (quando se quer que seja presente o subjetivismo no que se
afirmará), mas quando o que se quer é realmente fundamentar de forma objetiva
uma tese ou uma idéia, elas devem ser evitadas com veemência.
j) No Brasil e em
alguns países, muitos professores e orientadores evitam o uso de primeira
pessoa nos textos pelos quais são responsáveis. Assim, em vez de dizer “Apresentaremos
os argumentos...” ou “Referir-nos-emos aos argumentos”, com uso da primeira
pessoa do plural (nós), diz-se “Apresentar-se-ão os argumentos” (voz passiva,
sendo “argumentos” o núcleo do sujeito) ou “Referir-se-á aos argumentos”
(sujeito indeterminado). A razão para isso é que, ao se evitar o uso de
primeira pessoa, estar-se-ia dando maior objetividade ao texto. O prof. Lycurgo, embora em muitas situações concorde com isso,
não considera tal exigência impositiva, mesmo que seja desejável na grande
maioria dos casos.
k) A observação
mais importante de todas é a de que o aluno nunca deve copiar indevidamente
trechos de outra obra.